Prêmio Sigalei/ESPM prepara os profissionais de RIG do futuro

por Fabio Ventura

Jornalista. Já trabalhou no jornal O Estado de S. Paulo, TV Integração, TV Tem e EPTV. Conquistou os prêmios Abag de jornalismo (3 vezes), Sebrae, Mapa e Senac.

A mudança na dinâmica do mercado de trabalho tem desanuviado a pressão sobre uma das maiores dificuldades da vida pré-adulta: escolher uma profissão aos 16, 17 anos, às vésperas do vestibular. Hoje em dia, as fronteiras entre muitas áreas estão cada vez mais porosas e a interdisciplinaridade faz com que o profissional, depois de formado, possa transitar em diferentes mercados, desde que, claro, ele esteja instrumentalizado para isso. Um exemplo da busca por essa formação com foco em múltiplas competências está na parceria entre o Sigalei e a ESPM para preparar futuros profissionais da área de Relações Institucionais e Governamentais (RIG) e cujo aprendizado se torna ainda mais evidente nos trabalhos apresentados no prêmio Sigalei - ESPM.

Durante a graduação em Relações Internacionais da ESPM, cerca de 40 estudantes do sexto período têm, durante um semestre, aulas sobre o funcionamento e a lógica de tramitação no legislativo, informações que serão caras para quem pretende atuar nesta área no futuro.

Com o foco no aprendizado cada vez mais efetivo, a plataforma sigalei é disponibilizada para que os estudantes possam fazer o monitoramento legislativo dos temas abordados em aula. Eles também podem escolher os temas que serão analisados, para participarem do prêmio Sigalei - ESPM, desde que esses projetos estejam em processo de tramitação e tenham impacto para a sociedade.

A professora Denilde Holzhacker, responsável pelo Minor em Relações Institucionais e Governamentais explica que, entre os critérios de avaliação estão o correto mapeamento dos stakeholders e a criatividade dos estudantes na avaliação e na elaboração dos cenários sobre aquela tramitação.

“Uma das entregas é se eles conseguiram entender o processo de tramitação no Senado ou na Câmara, como é a lógica, o papel do relator nesse processo, a identificação de audiência, quais os grupos no legislativo ou na sociedade que estão mobilizados para defesa ou não daquela proposta. Ou seja, de um lado, entender o processo e, do outro, entender a dinâmica de participação de grupos de interesse para barrar ou aprovar aquele projeto”, explica a professora.

Vencedores

Na última edição, o prêmio foi conquistado pelos alunos Elisa Ferrantelli, Henrique Ricchetti, Laryssa Freitas, Pedro Vitor Moreno Zselics, com a análise da PLS 922018 que visa tornar obrigatório o uso de materiais que sejam biodegradáveis na constituição de objetos descartáveis designados ao manuseio de alimentos que sejam prontos para a consumação. Entre estes objetos estão pratos, copos, canudos e talheres.

“Buscamos os stakeholders que pudessem influenciar de diferentes maneiras a tramitação do PL e depois analisamos quais teriam mais impacto para o projeto em questão. Para nós, foi nítido que havia três grupos distintos interessados no tema, os parlamentares envolvidos no PL, as empresas e as ONG’s. Sendo assim, listamos quais atores estariam mais propensos a intervir no tema seguindo os contextos históricos da pessoa, da instituição, da empresa ou do partido político. Alguns atores eram mais evidentes e sabíamos logo de cara sobre o interesse, como foi o caso da propositora do projeto, Rose de Freitas. Em outros, tivemos que entrar um pouco mais a fundo para entender como poderiam influenciar, como foi o caso dos grupos midiáticos e o papel que eles têm tomado referente ao meio ambiente. Também tivemos a sorte de muitos dos representantes das associações relacionadas ao tema do nosso projeto serem bem conhecidos por Brasília, o que permitiu uma visão clara das ações e interesses de cada um”, conta o estudante Henrique Ricchetti, que fez parte do grupo que conquistou o primeiro lugar.

Para Ivan Ervolino, co-founder do Sigalei, a escolha dos primeiros colocados foi bastante acirrada. “Os trabalhos surpreenderam pela qualidade, tanto que decidimos premiar três em vez dos dois previamente estipulados. Ficou evidente que a turma entendeu os conceitos e técnicas utilizadas pelos profissionais de RIG e conseguiram colocar isso no papel.”

A parceria do Sigalei com a ESPM vem desde 2016 e reflete a missão de potencializar a capacidade de influência das instituições na construção de Políticas Públicas.

“Cabe destacar que esta parceria tem como objetivo incentivar o debate entre os alunos, trazendo para eles o que há de mais moderno em tecnologia e que com isso eles consigam extrair informações relevantes para estruturação dos argumentos”, ressalta Ivan.

Henrique avalia que a dinâmica de trabalho do profissional de RIG ficou bem mais clara a partir do trabalho desenvolvido pelo grupo. “Devido ao nosso curso proporcionar uma visão bem clara das práticas de um profissional de relações governamentais, já sabíamos o que esperar, mas foi de grande importância entendermos também o lado prático e as dificuldades que enfrentamos durante uma pesquisa deste tipo”, conclui o estudante.

Conheça os trabalhos!

1º colocado

_PLS 922018 - _Download do trabalho

Elisa Ferrantelli, Henrique Ricchetti, Laryssa Freitas, Pedro Vitor Moreno Zselics

2º colocado

_PL 4622017 - _Download do trabalho

Clara Vicari, Gabriela Tymonczak, Georgia Dal Colleto e Laís Fernandes1

2º colocado

_PL 55962013 - _Download do trabalho

Giovanna Ferracina Caminha, Matheus Henrique dos Santos, Maria Helena Siqueira, Victoria Atanes


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