Webinar – Os desafios das mulheres em RIG

por Fabio Ventura

Jornalista. Já trabalhou no jornal O Estado de S. Paulo, TV Integração, TV Tem e EPTV. Conquistou os prêmios Abag de jornalismo (3 vezes), Sebrae, Mapa e Senac.

Quanto maior o nível hierárquico, menor é a participação das mulheres em empresas do Brasil. Essa é a constatação de uma pesquisa realizada com 265 pessoas pela Pensar RelGov, instituição que promove a difusão do conhecimento na área de Relações Institucionais e Governamentais (RIG).

Com base na pesquisa, Andrea Gozetto, pesquisadora e sócia-diretora da Gozetto & Associados, publicou recentemente o artigo “Gênero e Relações Governamentais”, em parceria com Manoel Santos (UFMG), Eduardo Galvão (Pensar RelGov) e Bruno Pinheiro (UFMG), analisando a desigualdade de oportunidades neste mercado.

Denominada “Gênero e Relações Governamentais”, a publicação foi apresentada durante o Webinar “Os desafios das mulheres em RIG”, realizado pelo Sigalei na semana passada. O estudo aponta ainda que no Brasil 37,8% dos ocupantes de cargos de liderança são mulheres.

Confira o webinar completo!

Para Andrea, o viés apontado no estudo pode ser ainda maior na área de RIG, que conta com 16% a mais de homens na ativa “As mulheres ainda não ocuparam posições de influenciadoras em RIG. Raramente se vê uma mulher palestrando sobre esse assunto nos grandes eventos, mesmo que se candidatem; elas não encontram espaço. Ou seja, as portas não são abertas como ocorre com os homens”, afirmou Andrea, que também é coordenadora do MBA em Relações Governamentais da FGV.

A pesquisa apontou também um levantamento salarial distribuído entre o público masculino e feminino que traz referências importantes sobre a colocação de homens e mulheres no mercado de trabalho.

“O que se pode inferir é que as mulheres ficam concentradas no meio da carreira, na operação das relações governamentais. Já na parte estratégica, ou seja, quando ocorrem as discussões presenciais com o tomador de decisão para definir as ações estratégicas, os cargos são ocupados por homens”, analisou.

Anuário ORIGEM 2019

O estudo publicado vem bem ao encontro do lançamento do Anuário ORIGEM 2019, o 1º Anuário de Relações Institucionais e Governamentais, realizado em agosto em São Paulo.

A publicação traz o perfil dos principais profissionais de RIG do Brasil à frente das maiores empresas privadas, entidades de classe setoriais, consultorias e escritórios de advocacia especializados.

Entre as constatações apontadas no anuário, está o fato de que as gestoras e líderes de RIG representam menos de um terço dos participantes das empresas, percentual que não muda muito dentro das consultorias e escritórios. O levantamento mostra que o cenário é ainda mais preocupante quando se trata de associações, onde há menos de 20% de mulheres participantes.

Especificamente no ambiente das Relações Governamentais, o ambiente ainda é inegavelmente mais masculino, conforme mostra o gráfico inserido na publicação.

Portas fechadas

A diferença de oportunidades em altos cargos, sentida na pele há décadas pelas mulheres e constatada nos últimos anos pelas pesquisas, foi a referência mais contumaz expressada durante o webinar.

“Os desafios são os mesmos. Há muitas barreiras conscientes e inconscientes que ainda precisamos romper”, afirmou a vice-presidente do Instituto de Relações Governamentais, IRELGOV, Suelma Rosa.

A opinião também foi compartilhada por Luciana Rubino, que acompanhou o Webinar. “As mulheres ainda dedicam o dobro do tempo às atividades domésticas e ao cuidado dos familiares, em relação aos homens, partindo de uma posição no mercado de trabalho totalmente desvantajosa”, destacou.

Para Andrea, o ponto alto do Webinar foram justamente esses depoimentos. “Ter contribuído para criar um espaço para discutir os desafios das mulheres em RIG foi sensacional”, celebrou.

O Webinar

Confira o webinar completo!

Mediado pela líder de novos negócios na sigalei, Brina Deponte Leveguen, o Webinar contou com a participação de diversas mulheres que atuam na área e enviaram a gravação de seus depoimentos, como também daquelas que acompanharam o evento ao vivo.

“Gostaríamos de parabenizar a sigalei pela iniciativa. Assistimos em nossa sala de reuniões”, comentou Alessandra Mota, coordenadora do Núcleo de Acompanhamento Legislativo da Fiesp (Federação das Indústrias do Estado de São Paulo).

Mestra em Ciência Política pela Universidade Federal de São Carlos (UFSCar), Brina ficou satisfeita com o resultado. “O Webinar já teve um resultado muito positivo antes mesmo da transmissão ao vivo, pelo engajamento de mulheres da área que enviaram seus depoimentos. Foi muito bacana ver essa rede se formatando, mulheres indicando outras mulheres que elas admiram”, comentou.

Os feedbacks encaminhados ao Sigalei também foram recebidos com grande alegria. “Além da movimentação durante o webinar, que foi bastante grande, tivemos feedback positivo em relação ao material disponibilizado, que foi muito útil tanto para as mulheres que já atuam nessa área, como para aquelas que estão começando”, relatou.

Para Andrea, a qualidade do debate foi bastante relevante. “Houve boa interação, com um bom número de perguntas. O formato que escolhemos garantiu maior dinamismo à discussão e eu espero ter conseguido responder de maneira adequada às perguntas colocadas. Agradeço a todos que participaram e também ao Sigalei por essa oportunidade”, finalizou.


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