ACRIG: RIG fora do eixo Brasília-São Paulo-Rio

por Fabio Ventura

Jornalista. Já trabalhou no jornal O Estado de S. Paulo, TV Integração, TV Tem e EPTV. Conquistou os prêmios Abag de jornalismo (3 vezes), Sebrae, Mapa e Senac.

É difícil resistir aos estereótipos. Na construção de toda narrativa, eles são uma forma didática e preguiçosa de explicar de mundo. Em demasia, acabam por eclipsar boas histórias e bons exemplos. Na área de Relações Institucionais e Governamentais, não é diferente.

Nosso entrevistado preside a primeira associação regional de RIG do País. E onde está ela? Esqueça o ambiente árido de Brasília ou a rotina insana de metrópoles como São Paulo ou Rio de Janeiro.

Em Florianópolis, uma das mais belas capitais do Brasil (talvez um dos destinos de férias preferidos dos profissionais de RIG), reúnem-se os integrantes da Associação Catarinense de Relações Institucionais e Governamentais, a ACRIG.

Fundada em 2014, ela mostra o avanço da profissão fora do eixo tradicional. À frente da associação, está o advogado Glauco Artur Ribeiro de Assunção, de 31 anos. Em entrevista para o blog Política, ele deu detalhes sobre a formação e os desafios da ACRIG, exemplo que pode ser replicado em todo o País.

Boa leitura!

1 - A carreira do profissional de Relações Institucionais e Governamentais é bastante ligada à Brasília ou ao eixo Rio-São Paulo. O que motivou a criação de uma associação regional, como a ACRIG?

R: Realmente os holofotes da atividade de RIG estão voltados para as áreas citadas, muito em razão da força econômica e da importância política daquela região para o País, mas isso não quer dizer que a defesa de interesses esteja apenas ali restrita. As relações governamentais estão presentes em qualquer lugar onde exista um grupo de pressão constituído para defender determinado grupo de interesse perante o Poder Público. Acontece todos os dias e em todos Estados e Municípios.

Santa Catarina, por sua vez, é um Estado extremamente forte economicamente por possuir um dos setores produtivos mais importantes do Brasil e que também é bastante ligado ao associativismo e atento aos rumos políticos da região. E nesse mundo de monitoramento de pautas dos Poderes, profissionais que nele se conheceram, liderados pelo nosso ex-presidente, Edgard Usuy, vanguardista na área, entenderam que, diante das bandeiras de ética e de transparência cada vez mais essenciais ao trato com o Poder Público, era momento de criar um grupo que reunisse profissionais de RIG no Estado com o intuito de deixar a atividade cada vez mais profissional. E assim o fizemos em 2014. Criamos nosso estatuto e nosso código de condutas e somos, até hoje, a primeira e única associação regional de RIG no país.

2 - Qual é o perfil do associado?

R: Atualmente o perfil do associado é formado por advogados, jornalistas, economistas e administradores públicos que acompanham e atuam diretamente perante os Três Poderes, especialmente perante o Executivo e o Legislativo, seja por meio de consultorias de seus próprios escritórios ou por serem funcionários de associações ou federações que fazem determinada defesa de classe.

3 - Você acredita que a ACRIG seja um modelo que possa ser replicado em outros estados?

R: Acredito que sim. Como mencionei antes, a atividade de RIG ocorre no país inteiro diariamente. Dessa maneira, entendo que o modelo de associação pode servir para o engrandecimento da atividade em âmbito regional e consequentemente para o fortalecimento dos pilares da democracia representativa, com cada vez mais estímulos à promoção da ética e da transparência nas relações público-privadas, de maneira a contribuir também com as pautas das entidades nacionais da categoria.

4 - Quais são os principais desafios da Associação?

R: Além de se dissociar do sentido pejorativo do termo “lobby” (necessidade constante), acredito que, por se tratar de uma associação pioneira em âmbito regional e, especialmente, por estar fora do eixo Rio - São Paulo e de Brasília, imagino que nossa maior dificuldade seja ainda ter que demonstrar a alguma parte do setor produtivo catarinense que a necessidade de um posicionamento estratégico profissional dentro da política não pode estar limitada apenas à Brasília. Talvez pela facilidade de acesso e pelo menor número de legisladores do que no Congresso Nacional, ainda não há um interesse proeminente em investimento constante em capacitação, ou em estruturação interna de empresas com o foco RIG no Estado. Porém, sempre ressaltamos que de nada adianta a organização na defesa de interesse em âmbito nacional se completamente desalinhada com o posicionamento estratégico regional.

Dessa forma, buscamos sempre incentivar a capacitação das empresas por meio de palestras e parcerias em cursos voltados para a área e destacar os impactos positivos da atividade.

5 - Como é o mercado de trabalho para o profissional de RIG no Estado? O interior proporciona boas oportunidades?

R: Por ainda não ser saturado, o mercado de RIG em Santa Catarina é muito próspero, até porque há diversos segmentos de produção que são destaque no país, desde o turismo e comércio à indústria têxtil, agrícola, cerâmica, do aço, da pesca, da tecnologia entre outras, e que fazem o Estado ser uma verdadeira máquina de geração de valor econômico.

Mas, engana-se quem imagina que a atividade de RIG esteja concentrada em Florianópolis. De fato, por ser capital e sede do Centro Executivo e da Assembleia Legislativa, as importantes decisões são tomadas na cidade, porém, a grande maioria das pautas defendidas no poder público é originária do interior, onde estão sediadas as empresas dos setores anteriormente mencionados.

A cidade de Florianópolis abriga muitos servidores públicos e o setor industrial é afastado da capital.

6 - Assim como na esfera federal, a assembleia catarinense apresentou um alto índice de renovação: 55%. O que isso significa para os profissionais de RIG do Estado?

R: Significa que, assim como para quem atua no Congresso Nacional, os profissionais terão que se dedicar especialmente à identificação do perfil dos novos parlamentares que tomarão posse, bem como deverão ficar atentos à formação das lideranças da ALESC no ano que vem. A partir disso, acredito que o trabalho siga o mesmo como em outros mandatos, os profissionais continuarão mostrando que a atividade de RIG não vem para atrapalhar, mas sim para ajudar de maneira técnica o parlamentar na hora das tomadas de decisão.

7 - Quais são os principais temas que estão na agenda da ACRIG para 2019?

R: Inicialmente, estamos buscando ampliar nosso número de associados, gerar mais encontros com autoridades e promover mais oportunidade de capacitação para os nossos associados. No âmbito político, tratando-se de ano de início de mandato, a ACRIG buscará manter-se próxima ao novo Governo e aos novos parlamentares com o intuito de ajudar a demonstrar a importância da atividade do profissional de RIG para o desenvolvimento do nosso Estado e para garantir cada vez mais melhores condições para a atuação regional.


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