O mercado de startups para os profissionais de Relações Institucionais e Governamentais

por Fabio Ventura

Jornalista. Já trabalhou no jornal O Estado de S. Paulo, TV Integração, TV Tem e EPTV. Conquistou os prêmios Abag de jornalismo (3 vezes), Sebrae, Mapa e Senac.

Ser cool não paga as contas. Pode fazer o teste. Troque o imobilizado da sua empresa por mesas de pingue-pongue, patinetes motorizados e puffs espalhados pelas salas de reunião. O resultado será nulo se não vier acompanhado do que realmente faz diferença: o foco em inovação e a cultura do aprendizado, entre outros pontos.

O modelo de negócio das startups é muito mais do que oferecer um ambiente informal e teoricamente mais produtivo para os seus colaboradores. Em resumo, é um novo jeito de olhar e de se relacionar com os potenciais clientes. Em muitos casos, mercados consolidados vêm abaixo com soluções simples (muito bem executadas) que não surgem de um momento “eureka” com direito a lâmpada acesa sobre a cabeça, como acontece nas histórias em quadrinhos. Tecnologia, talento e trabalho – não há nada mais disruptivo do que isso.

E os profissionais de RIG?

Dentro do fluxo de trabalho das startups, a atuação dos profissionais de Relações Institucionais e Governamentais (RIG) pode contribuir justamente para azeitar o relacionamento com governos e instituições durante o processo de rompimento, criação e consolidação de novos mercados.

Em geral, os empreendedores olham desconfiados para as instituições públicas. Querem apenas não ser atrapalhados por elas. Mas não investir nesse relacionamento é um erro que pode trazer implicações severas no futuro. “Hoje, essa visão está concentrada nas startups menores, mais por desconhecimento do que por qualquer outra coisa”, explica Erik Nybo, Cofundador e CEO da EDEVO - Escola de Negócios, Inovação e Comportamento, e Head de Inovação no Molina Advogados.

Aos 29 anos e com alta quilometragem nos ecossistemas de inovação, Nybo é autor do livro Direito das Startups e tem atuado nas discussões do marco legal das startups, cujo texto deve ser enviado para consulta pública nas próximas semanas. Ele também é mentor de empresas com foco em inovação e reforça a importância do posicionamento junto aos decisores.

“As startups maiores e as empresas de tecnologia já perceberam que precisam ter essa interação com o governo. A maioria já tem um profissional de relações governamentais ou uma pessoa dedicada para fazer esse papel.”

Nybo vê como promissor o mercado de trabalho para profissionais de RIG junto às startups. “O mercado tem demandado cada vez mais por causa da inovação. Quando você está introduzindo tecnologias que produzem impactos que ainda não foram verificados, você acaba tendo que trabalhar com regulação, principalmente quando estamos falando de inovação disruptiva, ou seja, aquela que rompe a lógica vigente de mercado.”

Segundo ele, mesmo startups pequenas como fintechs, insuretechs ou legaltechs já estão atentas a isso, porque sabem que estão atuando em ambientes altamente regulados.

Para os profissionais de RIG que trabalham em empresas tradicionais, a lógica de inovação que permeia o ambiente das startups também pode ser aplicada, com algumas ressalvas.

“O problema é a questão da informalidade que existe no mercado de startup e que não é muito bem-vinda nesse ambiente de RelGov, porque pode ser interpretada de uma forma errada. Se você for mais informal, pode ser entendido como se você não estivesse cumprindo alguns protocolos de bom tom. Acho que esse é o limite. Mas a agilidade, a utilização de tecnologia, o pensar diferente, isso sim é possível adaptar nesse ambiente de startups para o cenário de RelGov, principalmente se a gente considerar esse cenário volátil, incerto, complexo e ambíguo (VUCA).”

O termo VUCA faz parte do léxico dos ambientes de inovação, assim como outros conceitos como o de errar rápido e barato. Nesse novo paradigma, a única constante é a mudança. “A gente tem que considerar que os negócios estão mudando. As empresas de tecnologia estão cada vez mais fortes e as tradicionais precisam acompanhar isso. Nesse momento, você precisa pensar de forma diferente. Se você não pensar de forma tecnológica, você acaba tendo dificuldade até como profissional de RelGov.”


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