Os desafios da estruturação da área de Relações Governamentais

por Fabio Ventura

Jornalista. Já trabalhou no jornal O Estado de S. Paulo, TV Integração, TV Tem e EPTV. Conquistou os prêmios Abag de jornalismo (3 vezes), Sebrae, Mapa e Senac.

É um cenário desafiador. O número de proposições legislativas aumenta exponencialmente e elas tramitam cada vez mais rápido; uma nova linguagem e novos critérios estão sendo adotados pelos decisores para a avaliação de políticas públicas; governos e reguladores são apontados, atrás apenas de clientes, como os principais stakeholders com maior impacto econômico para as empresas. Todos esses sintomas apontam para o mesmo diagnóstico. Não está fácil a vida do profissional de Relações Institucionais e Governamentais (RIG).

Para aprofundar o entendimento sobre esse cenário, o Sigalei realizou, nesta última quinta-feira (27 / 06), o webinar “Os desafios da estruturação da área de RIG”, que contou com a participação de Eduardo Galvão, um dos mais reconhecidos profissionais de RIG do país, além de Ivan Ervolino e Felipe Molina, da equipe Sigalei.

Os participantes tiveram a oportunidade de acompanhar a apresentação de Eduardo Galvão. Tudo muito bem fundamentado a partir de dados e pesquisas realizadas no Brasil e no exterior.

Confira a gravação do webinar!

Mais projetos, menos tempo

Entre os desafios apontados, está a dificuldade em acompanhar a produção legislativa. Nos últimos 5 anos, o crescimento foi de 70%. Nos últimos 10, de 190%. Além disso, a velocidade das tramitações também aumentou. Ou seja, é necessário fazer mais em menos tempo. “O profissional precisa rever a forma de trabalhar. Precisa se reinventar para dar conta de gerenciar esse volume de dados. Caso contrário, será soterrado por ele”, alertou Galvão.

Sobre esse assunto, um internauta perguntou como focar esforços, já que muitas vezes é empreendida muita energia, para um projeto que será arquivado. Galvão ressaltou que é preciso atenção ao fato de que o projeto pode ser arquivado, mas o tema continua, ainda mais quando causa grande repercussão, como a tragédia em Brumadinho. Ou seja, o tema vai precisar ser monitorado sempre, porque é possível que volte à discussão novamente.

Ciência em RIG

O avanço do debate em políticas públicas subsidiado pela ciência é outro ponto de destaque. Galvão citou uma pesquisa da Universidade da Pensilvânia que indica um aumento relevante no número de Think Tanks pelo mundo. No Brasil, por exemplo, eram 7 em 2008, passando para 93 em 2017.

Essa produção de conhecimento leva o debate a um patamar mais elevado. Um outro indicativo desse nível mais apurado de discussão é o recente Guia do Governo Federal para avaliação de políticas públicas e regulamentações que, em resumo, precisa apontar o problemas, as causas, as consequências e as alternativas mais adequadas. “Essa é nova linguagem da relação. Está aumentando cada vez mais a cultura do tecnicismo nas políticas públicas.”

Equipes de RIG

O webinar também abordou questões práticas da ação dos profissionais e das equipes de RIG. Via de regra, são times enxutos, com alto grau de capacitação. Entre as dificuldades, está a de priorizar, já que o excesso de demanda de demanda é uma realidade.

Nesse sentido, o uso de indicadores (KPIs) é fundamental. Para as equipes maiores, gestão de tempo e de processos precisam ser a regra, para evitar sobreposição de tarefas.

De maneira geral, os principais processos são monitoramento, inteligência, análise e articulação. O primeiro deles demanda muito tempo, o que pode afogar a equipe em trabalho, se for feito de forma manual.

Por isso, Galvão recomenda a utilização de soluções de monitoramento, que pode reduzir em 75% o tempo da equipe. “A plataforma vai fazer a pré-análise e a equipe irá focar no trabalho intelectual, de inteligência, que agrega mais valor à atividade como um todo.”

Entregas

Sobre as entregas dos profissionais de RIG, um internauta perguntou sobre como estruturar as notas técnicas. Galvão recomendou que, além de entregar um conteúdo sucinto para o decisor, de fácil reprodução, com elementos gráficos e poucas páginas, é importante que ele seja feito de forma colaborativa, compartilhando informações com os profissionais da área técnica. “A riqueza de conhecimentos é infinitamente maior. Inclusive, faz rever a sua própria posição.”

Além disso, considerando que o produto final do profissional é a política pública, a sua viabilização é por meio de subprodutos como sistemas de alerta, boletins, reports periódicos, notas técnicas, entre outros. A elaboração de tantos entregáveis depende do tamanho e grau de maturidade da equipe.

Conclusão

Ao todo, o bate-papo durou cerca de 1h15 e abriu caminho para que novas edições do webinar, com outros temas, se repitam. “Este também é um objetivo do Sigalei: fomentar o debate de política de Relações Governamentais. Estamos alinhados com a continuidade desse projeto que começamos em grande estilo, contando com a presença de Eduardo Galvão”, afirmou Ivan.

Galvão contou, que, apesar da sua sólida experiência em palestras e cursos, esta foi a sua primeira participação em um webinar, experiência que ele avaliou como bastante positiva.

“Foram mais de 200 inscritos, o que mostra a relevância do tema e a preocupação dos profissionais. Tenho convicção de que uma empresa bem treinada aliada à tecnologia é o caminho.”, concluiu.

Confira a gravação do webinar!


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