"Se você não está à mesa, você está no cardápio"

Presencialmente ou à distância, dezenas de profissionais, estudantes e pesquisadores mergulharam, na noite do dia 20 de setembro, em uma discussão que desconstruiu estereótipos e reforçou a importância da transparência nos processos de tomada de decisão. A primeira edição do SL Summit teve como tema “O papel da tecnologia na democratização do lobby”, em que foi destacada a participação de empresas, associações, instituições e cidadãos nos debates públicos. Citando a frase de um senador norte-americano, Pedro Fiorelli, Head de Relações Governamentais e Sustentabilidade da BRK Ambiental, sentenciou: “Se você não está à mesa, você está no cardápio.”

Pedro dividiu a mesa, mediada pelo cientista político e co-founder da sigalei, Ivan Ervolino, com Andréa Gozetto, coordenadora do MBA em Relações Governamentais da FGV/IDE. O evento, realizado no Wikilab, ambiente de co-working onde fica a sigalei, em São Carlos (SP), foi transmitido pelo portal sigalei e pelas redes sociais.

Andréa também reforçou a necessidade dessa interlocução, inclusive como estratégia de sobrevivência. “É completamente impossível que uma empresa consiga se manter como referência no setor sem ter contato com o governo. É muita regulamentação. Por ano, são iniciados na Câmara dos Deputados 2000 projetos de lei. Todas os dias, são mais de 700 normas, instruções e decretos, no Diário Oficial. E as empresas precisam navegar nessas águas turvas. Sem um profissional especializado, que faça esse filtro, como elas vão conseguir contribuir para construir um ambiente favorável de negócios?”

Métricas e compliance

Para alcançar bons resultados, é fundamental conseguir metrificá-los, destacou Pedro. “É preciso trazer métricas concretas e colocar novas formas de trabalhar. A forma old school era a agenda telefônica do lobista. Hoje, você tem muitos outros meios”, destacou Pedro, que citou um estudo do impacto financeiro de 625 projetos de lei monitorados por sua equipe e que poderiam ter um impacto de R$ 6 bilhões de reais.

Outro ponto abordado foi a relação, cada vez mais próxima, entre ás áreas de RIG (Relações Institucionais e Governamentais) e compliance. “Hoje, a área de RIG tem quase uma relação simbiótica com a de compliance. É totalmente legítima essa defesa de interesses. Mas cada vez mais as empresas vão questionar os profissionais que falam em seu nome.”

Andréa trouxe outro ponto para essa discussão: a importância da mudança de narrativa. “É preciso desassociar lobby com tráfico de influência, de corrupção. A gente precisa fazer um trabalho forte, e isso inclui os profissionais, para mostrar que lobby tem que estar associado à democracia e transparência e não à tráfico de influência.”

Tecnologias

As tecnologias, como plataforma de dados que subsidiam decisões, vieram para facilitar o trabalho do profissional de RIG, sem substituí-lo. “Essas ferramentas de inteligência, de tecnologia, municiam o profissional. No fim, cabe a ele a tomada de decisão. A máquina não vai substituí-lo. Ao contrário, a máquina vai te ajudar no seu trabalho”, ressaltou Pedro. Andrea defendeu a adoção de mais tecnologias para reforçar o processo de transparência. “O poder executivo tem uma plataforma aberta, muito subutilizada, que se chamada governo eletrônico. Ali tem consultas públicas, audiências públicas, mas não deveria ter uma agenda de todos os membros do poder público? A regulamentação do lobby no Chile aconteceu dessa forma, todo mundo sabendo quem está conversando com quem.”

O encontro durou cerca de duas horas e contou também com as perguntas do público presencial e dos que acompanhavam pela internet. Para o analista financeiro e mestrando em Governança Corporativa, Victor Oliveira, o debate jogou luz a questões importantes. “Muito importante essa questão do lobby. É um assunto que precisa ser discutido, para ampliar os meios de participação popular de acesso à informação do debate público e político do Brasil. Tudo ficou mais claro. Deu para entender os meandros da atuação e como poderia ser melhorado, inclusive com um controle social maior, se fosse regulamentado.”

Para Cynthia Cury, gerente de Relações Institucionais e Governamentais da Embrapa, uma área de RIG fortalece e qualifica a formulação de políticas públicas. “Inovação, Parcerias, Relacionamentos foram os motes das agendas da última semana! Dentro da excelente programação do Cofest, tive a oportunidade de participar de uma discussão sobre “O papel da tecnologia na democratização do lobby”, promovida pelo sigalei, onde as contribuições da ciência para formulação de políticas públicas foi destacada por Andrea Gozzetto, como um dos pilares da ação do profissional de Relações Institucionais e Governamentais. A área de RIG torna mais efetivo e transparente o relacionamento com diversas instituições públicas e privadas, especialmente com os poderes Legislativo e Executivo, fortalecendo e qualificando o processo de formulação e aprimoramento de políticas públicas. Parabéns à equipe do sigalei por promover este diálogo!”

Quem perdeu o primeiro SL Summit, pode acompanhar as discussões abaixo. A intenção é levar essa experiência sigalei também para outras cidades. Em breve, haverá mais novidades. Até a próxima!

SL Summit parte 1:

SL Summit parte 2:


Fabio Ventura

Fabio Ventura

Jornalista. Já trabalhou no jornal O Estado de S. Paulo, TV Integração, TV Tem e EPTV. Conquistou os prêmios Abag de jornalismo (3 vezes), Sebrae, Mapa e Senac.