Webinar os desafios das mulheres em RIG

por Fabio Ventura

Jornalista. Já trabalhou no jornal O Estado de S. Paulo, TV Integração, TV Tem e EPTV. Conquistou os prêmios Abag de jornalismo (3 vezes), Sebrae, Mapa e Senac.

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Elas são bem formadas, conduzem carreiras impecáveis e ascendem nas organizações – até certo ponto. Os últimos degraus da escada corporativa são mais difíceis de serem escalados para quem está de salto alto. Isso vale para diferentes áreas, inclusive para a de Relações Institucionais e Governamentais (RIG), em que, apesar do seu dinamismo, as oportunidades em altos cargos não são as mesmas para as mulheres. E qual o motivo para essa barreira invisível, já que o nível de qualificação delas é inclusive ligeiramente superior aos dos homens? Essa e outras questões vão ser discutidas no Webinar “_Os desafios das mulheres em RIG_”, que vai ser realizado pelo Sigalei no dia 5 de setembro, às 17h. Para confirmar a sua presença, é só CLICAR AQUI.

Entre as convidadas, estão Brina Deponte Leveguen, mestre em Ciência Política pela Universidade Federal de São Carlos (UFSCar) e líder de novos negócios no Sigalei, e Andrea Gozetto, coordenadora do MBA em Relações Governamentais da FGV, pesquisadora e sócia-diretora da Gozetto & Associados.

Andrea publicou recentemente o artigo “Gênero e Relações Governamentais”, em parceria com Manoel Santos (UFMG), Eduardo Galvão (Pensar RelGov) e Bruno Pinheiro (UFMG), no qual, a partir de dados da pesquisa “O perfil do profissional de Relações Governamentais”, analisa a desigualdade de oportunidades neste mercado. Entre as constatações, está a de que a variável gênero explica 23% da variação da faixa salarial dos profissionais de RIG. Ou seja, se você é mulher, você precisa fazer mais para ganhar o mesmo.

Em entrevista para o Blog Tudo é Política, Andrea aprofundou alguns pontos relevantes sobre essa discussão e detalhou como vai ser o webinar. Boa leitura!

1 – Quais são os maiores desafios das mulheres na área de RIG?

O maior desafio é cultural, já que no Brasil, política não é coisa de mulher. Assim, mulheres interessadas em política causam certo estranhamento. Outro desafio é ascender a cargos hierárquicos mais altos, até a gerência, as mulheres estão em um nível equiparável ao dos homens, mas em nossa amostra, não havia mulheres entre os respondentes que ocupavam cargos de vice-presidente e presidente.

2 – É diferente da sociedade em geral?

Infelizmente, não. Segundo dados do IBGE, apenas 37,8% das mulheres ocupam cargos de liderança no Brasil, mesmo possuindo mais educação formal do que os homens. A remuneração também é desigual. No caso de RIG, o que saltou aos olhos de forma mais forte foi essa dificuldade de galgar cargos de hierarquia mais alto. E por quê?

A pesquisa não chegou a abordar isso, mas sabemos, por exemplo, que a mulher tem uma carga maior, ela tem a terceira jornada, a jornada familiar. Para uma mulher que tem filhos, o sacrifício pessoal é maior do que o dos homens. Quando os homens recebem promoções, fazem um cálculo custo/benefício menos complexo, apesar do fato de que será exigido dele um número de horas trabalhadas muito maior do que ele já possui.

Para uma mulher, que tem família, filhos, uma casa para administrar - a maioria ainda é administrada por mulheres - a responsabilidade recai sobre a mulher. Como gerenciar um número alto de viagens, como ficar afastada da casa, dos filhos, do marido? São essas questões que surgem e que ainda não conseguimos avaliar com rigor. Precisamos fazer uma pesquisa qualitativa, para conseguir entender quais são os pontos nevrálgicos, porque, enfim, as mulheres não ascendem tanto quanto os homens, de acordo com os dados, educação formal não é um fator explicativo suficiente.

O universo de Relações Institucionais e Governamentais (RIG) tem uma peculiaridade. A atividade de lobby é complexa, abrangente e sofisticada e devido a isso requer profissionais muito qualificados. Na amostra estudada, todos os respondentes possuíam, no mínimo, graduação completa. A sua grande maioria é pós-graduada. Portanto, não é a educação formal que responde por essa discrepância. Há um misto de questões culturais, pessoais e, inclusive organizacionais. As mulheres, independentemente da área em que atuem, ainda têm que conviver, por exemplo, com piadinhas machistas, com uma série de pequenas discriminações que já nem combinam mais com o século XXI. Para a sociedade que a gente quer ter, esse tipo de disparidade, de desigualdade salarial, não deveria nem existir.

3 – As empresas têm atuado nesta busca pela igualdade, além do discurso?

Sim, sobretudo as grandes empresas. No entanto, um estudo realizado por pesquisadores da Unicamp sobre discriminação de gênero no trabalho em grandes empresas como Banco do Brasil, Coca-Cola, Magazine Luiza, Natura, Nestlé, Petrobras, Unilever e Volkswagen mostrou que as iniciativas de promoção da equidade de gênero no mundo corporativo, contempladas em programas de responsabilidade social empresarial, produzem avanços lentos e requerem uma mudança da cultura organizacional. Mas, cultura organizacional é apenas um fator, entre muitos outros. Ainda não temos respostas para algumas questões, tais como: as mulheres não ascendem a cargos hierárquicos mais altos porque não lhes é dada essa oportunidade, ou por que quando essa oportunidade lhes é dada, elas acabam não aceitando? O webinar será uma excelente oportunidade para conversar, abrir para perguntas e ouvir o que as mulheres que atuam em relações governamentais tem a dizer sobre esse tema.

4 – Como vai ser a dinâmica do webinar?

Vai ser bastante interessante. Será um bate-papo, uma conversa. Vai ser no formato de perguntas e respostas, para deixar um espaço maior para que as pessoas possam mandar perguntas e comentários. Será um momento mais de ouvir do que de falar.

Eu tenho certeza de que será um momento muito rico e parabenizo o Sigalei pela oportunidade, porque falta uma arena, onde a gente possa falar sem que essa discussão seja revestida de caráter ideológico. Não estamos hasteando a bandeira do feminismo, tão pouco iniciando uma campanha contra os homens ou contra o machismo. Nós precisamos entender melhor por que essa discrepância existe. O que a pesquisa vem confirmar é que na área de RIG também há discriminação salarial e há menos mulheres do que homens em cargos de liderança, como na sociedade como um todo. No webinar, a gente vai ter algumas pistas do porquê.

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