Gestão de risco político em ano eleitoral: o que muda?

Ano eleitoral tem as suas idiossincrasias. E quem trabalha realizando a gestão do risco político precisa estar atento, porque algumas determinações têm reflexos diretos no setor público, cujas reações repercutem no setor privado e no mundo corporativo.

Nesta época, muda-se a forma de administrar o dinheiro, recorrem-se a alternativas para aprovações de projetos e se ampliam as maneiras de divulgação dos fatos. As notícias competem à velocidade da luz para chegar aos celulares, que já se tornaram extensões dos seres humanos.

O primeiro problema já aparece aí. Com a chegada do período eleitoral, devem crescer exponencialmente as fake News. E as redes sociais tornaram-se um ambiente fértil para disseminação delas.

O Twitter é uma das mais importantes redes sociais do Brasil e do mundo, e diversos governantes utilizam-no para se pronunciar. Contudo, as fake news se disseminam seis vezes mais rápido do que as notícias verdadeiras nessa rede. A análise é do Laboratório de Mídia do Massachusetts Institute of Technology (MIT).

E segundo o economista Maurício Moura, professor da Universidade George Washington e fundador do IDEIA Big Data, a tendência deste ano é uma fake news mais sofisticada com uso de vídeos e inteligência artificial. Em entrevista ao programa Painel, da Globonews, Maurício apresentou suas percepções com base no acompanhamento das eleições pelo mundo e afirmou: as fake news vão crescer no Brasil em 2020.

Notícias falsas podem trazer inúmeros prejuízos não só para candidatos nesse processo, mas também para empresas. Isso porque em geral, nas relações governamentais, há que se fazer contatos com políticos. Faz parte da atividade. Porém, se o nome de um político cair em uma notícia falsa e, de alguma forma, houver ligação com determinada empresa, a repercussão pode ser grande. Ou seja, a variável eleitoral deve entrar no escopo de análise este ano.

Gestão de risco político e as eleições municipais

São muitas as variáveis a serem consideradas para realizar uma gestão de risco com qualidade. Em um cenário em que as empresas e associações são cada vez mais observadas de perto, a eficaz gestão pode ser o ponto decisivo para permitir a vida longa e saudável de uma organização.

Esta gestão, focando o aspecto político, deve monitorar o que o governo tem produzido, como lição de casa fundamental. Mas só isso é insuficiente. É preciso também analisar estas informações, compartilhar as estratégias com as demais áreas da empresa e, também, medir os resultados das estratégias traçadas. Isso é claro sem contar a atuação junto aos tomadores de decisão. Tudo para que as decisões do governo não sejam surpresas desagradáveis ou para que se consiga aproveitar uma oportunidade relevante para a instituição.

O ponto nevrálgico a ser assimilado é que esta multiplicidade de variáveis e informações se conectam tornando a gestão complexa. Este ano, em especial, está chegando uma variável a mais nesta complexa equação, pois temos eleições municipais, que acrescentam dois pontos importantes para a gestão do risco.

A primeira é que torna o calendário mais curto, o que acarreta processos mais acelerados e antecipados de decisões. A segunda é que elas produzem um efeito reverberador de temas que acabam “subindo” para as esferas estaduais e federal por conta da relação dos deputados com suas bases eleitorais. Ou seja, alguns temas que não estão no radar podem surgir durante as interações com os parlamentares.

Dessa forma, uma gestão de risco político bem feita permite que a empresa antecipe diversos desdobramentos e se prepare para diferentes cenários. Aliás, esse é um momento de atenção plena. Não há tempo para cochilo, sob pena de perder o trem; e nesses casos, só há passagem de ida.

É preciso estar atento às ações, às reações e às decisões. Recentemente, abordamos no nosso Blog o clássico exemplo do posicionamento da Shell ao longo da Guerra Fria, que se antecipou aos possíveis finais para esse período histórico de disputas estratégicas e conflitos indiretos entre os Estados Unidos e a União Soviética.

Agora as disputas são diferentes, mas não menos tensas, especialmente considerando-se os últimos acontecimentos do período eleitoral e pré-eleitoral em nosso país. E há que se levar em conta também que, enquanto candidatos a prefeito e a vereador se prepararam para essa maratona, deputados e senadores estão em plena corrida para angariar apoio e aprovar seus projetos. E nessa disputa, ganha quem estiver atento às discussões, alerta às decisões e disposto a negociar.


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