O que muda com o novo Congresso?

As tendências que se desenhavam no cenário político foram confirmadas neste último domingo, nas urnas de todo o País. A busca por renovação e mudança, que já era esperada no executivo, se espraiou também para o Congresso. No Senado, por exemplo, 3 em cada 4 senadores que tentavam um novo mandato não se reelegeram e nomes tradicionais como Romero Jucá e o atual presidente da casa, Eunício Oliveira, ficaram de fora.

Na Câmara, das 513 cadeiras, 274 serão ocupadas por novos deputados, índice de renovação acima de 50%. Partidos tradicionais como o PT, MDB e PSDB perderam grande número de parlamentares, ao mesmo tempo em que o PSL despontou como o segundo partido na Câmara. E qual o impacto dessa nova composição para os profissionais de Relações Governamentais e Institucionais (RIG)? Em entrevista para o blog Tudo é Política, o diretor de Relações Governamentais da Barral M Jorge Consultores Associados, Juliano Griebeler, mestre em Ciência Política pela Universidade Federal do Paraná, analisa os resultados e traduz os recados passados pelo eleitor. Boa leitura!

1 – Quais foram as principais mensagens passadas pelo eleitor?

A principal mensagem é que essa vontade de renovação e de mudança era mais forte do que o esperado e se refletiu muito mais no Congresso do que se imaginava. Esse voto acabou elegendo uma bancada muito grande. O PSL passou de um deputado eleito em 2014 para 52 deputados. Ou seja, se tornou a segunda maior força. É um fenômeno. Poucos políticos hoje em dia conseguem uma mobilização como essa. Isso mostra que o sentimento que estava sendo esperado para o executivo se refletiu também no legislativo. Os partidos tradicionais não souberam lidar com isso e perderam força. Políticos tradicionais não se elegeram, como Eunício Oliveira, Romero Jucá e outros nomes que estão na política há muito tempo. Muitos partidos perderam bastante espaço no Congresso. O MDB ficou com pouco mais de 30 cadeiras, o PSDB e outros ficaram naquela faixa entre 25 e 29 deputados, o que torna mais equilibrada a força. A grande polarização entre governo e oposição vai ficar em torno do PT e PSL e dos partidos que se coligarem ao redor deles.

2 – No Senado, a renovação foi ainda maior. Quais foram os motivos?

Essa eleição mostrou que os recursos políticos tradicionais não bastam para eleger um candidato. As mídias sociais mudaram as regras do jogo, além de um descontentamento muito grande em função da lava jato e da crise econômica. Nunca é um motivo só. Também o voto no Senado é majoritário. Então, é muito mais pessoal. Na Câmara, é proporcional. Você vota no candidato e a bancada ajuda a eleger o candidato. Talvez isso tenha dificultado o crescimento e a reeleição dos senadores. A gente vai ter muito candidato que será senador pela primeira vez, o que deve mudar um pouco a forma de articulação no Senado. Eles podem demorar um pouco até pegar como as coisas funcionam. Um ponto importante é como esses deputados e senadores que se elegeram falando em mudança vão atuar, como eles vão se comportar para se diferenciar dos políticos tradicionais.

3 – Em resumo, como será o parlamento no ano que vem?

Será um parlamento mais conservador, na área das questões sociais, e mais pró-mercado na área econômica. Haverá maior equilíbrio de forças entre os partidos. Ou seja, uma grande quantidade de partidos tendo uma representatividade mais ativa no Congresso Nacional. Além disso, haverá muitos novos deputados e senadores, por conta da renovação.

4 – Como os RIGs devem atuar em função dessa nova formação?

A atuação dos RIGs está muito relacionada a um ambiente democrático, a regras claras. Esse novo Congresso é uma oportunidade de renovação, de um novo padrão de comportamento, para de fato ajudar esses novos parlamentares a aprovar políticas públicas mais eficientes, porque o nosso papel no final é esse: levar informações e posições para que eles tomem as melhores decisões possíveis, ajudá-los na orientação sobre temas que eles nunca tiveram contato. Então, com esse novo Congresso, o papel do RIG talvez seja ainda mais importante, para ajudar esses novos deputados e senadores a apresentar projetos e a discutir propostas.


Fabio Ventura

Fabio Ventura

Jornalista. Já trabalhou no jornal O Estado de S. Paulo, TV Integração, TV Tem e EPTV. Conquistou os prêmios Abag de jornalismo (3 vezes), Sebrae, Mapa e Senac.

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